É comum a frase entre os professores de que: “os jovens não querem saber de nada, eles não se importam com as coisas ou mesmo com o que esta acontecendo”.   No entanto nas mais variadas discussões do que se fazer e como enfrentar estas  situações nos perdemos em meio a tantas publicações e informações que requerem um tempo e uma disposição incalculável para o estudo e busca de soluções para as citadas condições que nossos professores vem enfrentando nas salas de aula. Como então, já que,  inclusive o tempo esta sendo questionado aqui e parece ser de grande importância a noção que se tem sobre ele. Principalmente, para o adulto, profissional, professor esta percepção parece que lhe foge o controle, quando o que mais querem é tomar este nas mãos e direcioná-lo ao seu exercício profissional. Que triste é descobrir: “O tempo é a substancia de que sou feito. O tempo é um rio que me arrebata, mas eu sou o rio; é um tigre que destroça, mas eu sou o tigre; é um fogo que me consome, ma eu sou o fogo. O mundo, infelizmente, é real; eu, infelizmente, sou Borges. (Borges, Otras inquisiciones).

Sou o tempo, sou fogo, sou tigre, sou rio e sou pessoa profissional, professor e estou diante do dilema educar em um tempo que é midiático que é tecnológico que é fugaz. Educar para o pensar é se colocar diante de dilemas por que não diríamos filosóficos da “Pós-modernidade”, em que o que temos é uma sociedade da imagem e do consumo contra uma tradição e um estado de letargia de alguns que pretendem convencer de que: “nos tempos idos é que era bom educar”.

O professor que atua como mediador entre o jovem adolescente do Ensino Médio e a tradição filosófica precisa em primeiro lugar, compreender, por que faz parte de seu oficio, as fases e principalmente, esta fase de descoberta de clamor e de rebeldia em que os jovens vivem. Afinal é um período de transformação tanto física e perceptível, muito mais ainda, nas emoções, na sexualidade e tudo se não fosse bastante, temos o “mundo” que lhes cobra: responsabilidade, prazer e sentidos. Tudo dentro de uma propagação da idéia de que todos podem ser felizes, na medida em que não importa o Ser, mas é o “parecer” ser feliz, ter sucesso e ainda ser jovem.

 Diante destes e tantos outros fatores parece que como nossos jovens estão perdidos os nossos professores que ao ministrar aulas de filosofia se encontram também em meio a um vazio que os arrebate a negar o universo temporal da vida. Estamos  todos presos a condição do tempo em que preciso é o reconhecimento de que somos autores, protagonistas do espetáculo da vida. Propagar que a educação já foi boa é tentar afirmar que o tempo não existe que o mesmo é imutável e na verdade o tempo flui e a fluidez é algo inegável, “ninguém toma banho no mesmo rio duas vezes”, segundo Heráclito, então é hora de nos banharmos no novo rio, na juventude contemporânea do gosto pelo novo e pelo criativo, tal qual a Filosofia, que há 2.300 anos ainda se faz jovem e profundamente nova todos os dias.

Ricardo.

Ótima quinta-feira!

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